O eixo hipotálamo-hipófise-ovário:
a base hormonal da fertilidade

Na avaliação da fertilidade, esta dimensão hormonal é muito importante. A história clínica, a regularidade dos ciclos, os sintomas associados, a ecografia ginecológica e as análises hormonais ajudam a perceber se este eixo está a funcionar de forma adequada.

Quando falamos de fertilidade feminina, pensamos muitas vezes apenas nos ovários, nos ovócitos, no útero ou nas trompas. No entanto, existe uma estrutura essencial que muitas vezes passa despercebida: o hipotálamo.

O hipotálamo é uma pequena região do cérebro com um papel fundamental na regulação hormonal.

Tem, no entanto, uma função decisiva no diálogo entre o cérebro e os órgãos reprodutores. É precisamente através desta comunicação com a hipófise e os ovários que o organismo regula o ciclo menstrual, o desenvolvimento dos folículos, a ovulação e a produção hormonal necessária para uma possível gravidez.

De forma simples, podemos dizer que o ciclo menstrual depende de um eixo hormonal: o eixo hipotálamo-hipófise-ovário. O hipotálamo dá o primeiro passo, libertando hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH), que estimula a hipófise a produzir duas hormonas essenciais: a hormona folículo-estimulante (FSH) e a hormona luteinizante (LH). Estas atuam depois nos ovários, regulando o desenvolvimento dos folículos e desencadeando a ovulação.

A FSH ajuda a estimular o crescimento dos folículos nos ovários. Cada folículo pode conter um ovócito. Ao longo do ciclo, habitualmente um desses folículos torna-se dominante. Mais tarde, a LH tem um papel essencial no desencadear da ovulação. A ovulação corresponde ao momento em que o ovário liberta um óvulo, que segue depois para uma das trompas de Falópio, processo que o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) descreve como central no ciclo menstrual.

Quando esta sinalização entre cérebro, hipófise e ovários funciona bem, há maior probabilidade de existir ovulação regular e ciclos menstruais previsíveis.

Mas este equilíbrio pode ser sensível. Fatores como stress intenso, alterações significativas de peso ou distúrbios alimentares podem interferir com a ovulação e com a regularidade do ciclo menstrual. Outras condições clínicas ou alterações hormonais também podem afetar este sistema, levando a ciclos irregulares, ausência de menstruação ou dificuldade em engravidar.

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Por isso, nestas situações, é importante avaliar não apenas os ovários, mas todo o sistema hormonal. A ACOG refere, por exemplo, que a imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário nos primeiros anos após a primeira menstruação pode originar anovulação e ciclos mais longos.

Na avaliação da fertilidade, esta dimensão hormonal é muito importante. A história clínica, a regularidade dos ciclos, os sintomas associados, a ecografia ginecológica e as análises hormonais ajudam a perceber se este eixo está a funcionar de forma adequada.

Nos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida (PMA), compreender este eixo é igualmente relevante.

Muitos tratamentos atuam precisamente através da estimulação hormonal dos ovários, procurando controlar e acompanhar o desenvolvimento folicular. Esse acompanhamento permite definir o momento mais adequado para ovulação, inseminação, recolha de ovócitos ou outras etapas do tratamento.

No CETI, acreditamos que explicar estes processos de forma simples ajuda a reduzir dúvidas e ansiedade. Afinal, a fertilidade não depende apenas dos ovários, depende também da forma como o cérebro, a hipófise e os ovários comunicam entre si.

Se identifica ciclos irregulares, ausência de menstruação, dúvidas sobre a ovulação ou dificuldade em engravidar, a nossa equipa está disponível para a ajudar a compreender o que está a acontecer e a definir os próximos passos mais adequados ao seu caso.