O ciclo menstrual e a sua importância na avaliação da fertilidade

Para quem pretende engravidar, conhecer a janela fértil pode ser uma ajuda importante. Este período corresponde aos dias que antecedem e incluem a ovulação, quando a probabilidade de conceção é mais elevada.

O ciclo menstrual é muito mais do que a menstruação. A sua duração, regularidade e as alterações hormonais que ocorrem ao longo de cada ciclo fornecem informações importantes sobre a saúde reprodutiva e podem dar pistas valiosas sobre a fertilidade.

Ao longo de cada ciclo, o organismo passa por uma sequência de alterações hormonais que permitem o desenvolvimento do ovócito, a ovulação e a preparação do útero para uma possível gravidez. Conhecer este processo ajuda a compreender melhor o funcionamento do corpo, a reconhecer os sinais da ovulação e a identificar situações em que pode ser aconselhável procurar avaliação médica. Para muitas mulheres e casais que estão a tentar engravidar, este conhecimento constitui um primeiro passo importante.

O ciclo menstrual inicia-se no primeiro dia da menstruação.

Nesta fase, o endométrio,  revestimento interno do útero, é eliminado porque não ocorreu uma gravidez no ciclo anterior. A partir desse momento, o organismo inicia um novo ciclo de preparação.

A primeira fase do ciclo, designada fase folicular, caracteriza-se pelo desenvolvimento de vários folículos nos ovários, cada um contendo um ovócito. À medida que o ciclo progride, um destes folículos torna-se dominante e continua o seu crescimento até à ovulação.

A ovulação consiste na libertação de um ovócito maduro pelo ovário. Após a sua libertação, o ovócito é captado pelas fímbrias da trompa de Falópio, onde poderá ser fecundado, caso estejam presentes espermatozoides viáveis.

Um dos mitos mais comuns sobre o ciclo menstrual é a ideia de que a ovulação ocorre sempre no chamado “dia 14”.

Na realidade, isso aplica-se sobretudo a ciclos com cerca de 28 dias. O momento da ovulação depende da duração do ciclo menstrual e ocorre, de forma geral, cerca de 10 a 16 dias antes da menstruação seguinte, podendo variar entre mulheres e até entre diferentes ciclos da mesma mulher.

Após a ovulação inicia-se a fase lútea, durante a qual o organismo produz progesterona, uma hormona essencial para preparar o endométrio para uma eventual implantação do embrião. Se não ocorrer fecundação e implantação, os níveis de progesterona diminuem e inicia-se uma nova menstruação, dando origem a um novo ciclo.

Para quem pretende engravidar, conhecer a janela fértil pode ser uma ajuda importante. Este período corresponde aos dias que antecedem e incluem a ovulação, quando a probabilidade de conceção é mais elevada. No entanto, como o momento da ovulação pode variar, especialmente em mulheres com ciclos irregulares, nem sempre é possível identificar com precisão os dias de maior fertilidade apenas com base no calendário.

Além de refletir o funcionamento normal do sistema reprodutor, o ciclo menstrual pode fornecer informações importantes sobre a saúde da mulher. Ciclos muito irregulares, ausência de menstruação, hemorragias menstruais excessivas, dor intensa ou suspeita de ausência de ovulação justificam uma avaliação médica. Alterações da ovulação podem estar associadas a condições como a síndrome metabólica poliendócrina do ovário (anteriormente denominada de síndrome dos ovários poliquísticos), alterações no funciomento da tiróide ou outras condições que podem comprometer a fertilidade.

 

É igualmente importante perceber que ter menstruação não significa, necessariamente, que tenha ocorrido ovulação.

Em alguns casos existem ciclos anovulatórios, nos quais ocorre hemorragia menstrual, mas não há libertação de um ovócito. Quando existe dificuldade em engravidar, poderá ser necessário confirmar se a ovulação está efetivamente a acontecer.

Embora o ciclo menstrual seja uma componente importante da avaliação da fertilidade, não é o único fator a considerar. A fertilidade depende também da idade, da reserva ovárica, da qualidade dos ovócitos, da permeabilidade das trompas, das características do útero, da qualidade do esperma e da história clínica de cada pessoa ou casal. Por esse motivo, a avaliação deve ser sempre individualizada.

No CETI, consideramos o ciclo menstrual um importante indicador clínico da saúde reprodutiva. A sua regularidade, duração, os sintomas associados e a sua relação com a ovulação constituem informações fundamentais para orientar o estudo da fertilidade e definir a abordagem mais adequada para cada mulher ou casal.

Se tem ciclos irregulares, dúvidas sobre a ovulação, dificuldade em engravidar ou pretende compreender melhor a sua fertilidade, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer estas questões, identificar possíveis causas e definir os passos mais adequados para o seu caso.

Compreender o ciclo menstrual é conhecer melhor o funcionamento do seu corpo. É também um passo importante para reconhecer alterações, promover a saúde reprodutiva e tomar decisões mais informadas ao longo do percurso reprodutivo.