Endometriose: O que é?

A endometriose é uma doença crónica e inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) cresce fora do útero, provocando dor, inflamação e, em alguns casos, infertilidade.

Estima-se que afete cerca de uma em cada dez mulheres em idade fértil.

Apesar da sua frequência, continua a ser subdiagnosticada, em parte porque a dor menstrual intensa ainda é muitas vezes banalizada. No entanto, quando a dor interfere com a vida pessoal, profissional, íntima ou emocional, deve ser valorizada e investigada.

O impacto da doença vai muito além da dor física. Muitas mulheres convivem com dor recorrente e incapacitante, que condiciona atividades diárias, relações pessoais, desempenho profissional e qualidade de vida. A vivência prolongada de sintomas, associada a diagnósticos muitas vezes demorados, pode gerar ansiedade, frustração e tristeza, afetando profundamente o bem-estar emocional. Trata-se, por isso, de uma condição que tem repercussões físicas, psicológicas e sociais significativas.

Embora não exista cura definitiva, há tratamentos eficazes que permitem controlar os sintomas e travar a progressão da doença. A abordagem é individualizada, tendo em conta os sintomas, a resposta terapêutica e os objetivos reprodutivos da mulher. O tratamento médico, geralmente hormonal, é habitualmente a primeira linha, podendo incluir contracetivos hormonais, progestativos ou outros fármacos que reduzem o estímulo hormonal da doença. A cirurgia é reservada para situações mais complexas ou quando o tratamento médico não é suficiente.

O tratamento ideal é frequentemente multidisciplinar.

Para além da medicação, mudanças no estilo de vida, nomeadamente na alimentação, podem ajudar a reduzir a inflamação e melhorar sintomas. A fisioterapia pélvica contribui para aliviar a dor associada à tensão muscular e melhorar a função intestinal e urinária, enquanto o apoio psicológico é considerado parte integrante do cuidado, ajudando a lidar com o desgaste emocional de uma doença crónica.

A mensagem central é clara: a dor intensa não é normal e a endometriose exige reconhecimento, acompanhamento adequado e uma abordagem integrada.

Assista à entrevista completa do Dr. João Cavaco Gomes  aqui.