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A jornada de um casal infértil é difícil e, por vezes, solitária. Mas não tem de ser assim

Importa desmistificar que a infertilidade não é rara e que pessoas próximas de nós poderão passar por situações semelhantes. Também é importante saber que a medicina, em grande parte dos casos, nos dá ferramentas para ultrapassar uma variedade de dificuldades e concretizar o sonho de ter um filho.

Vamos primeiro entender o que é a infertilidade: é considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença do sistema reprodutor definida pela ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas, sendo que pode afetar tanto mulheres, como homens. No entanto, este critério não é rigoroso e na maior parte das situações, esta deve ser investigada ao fim de 6 meses.

Estima-se que 48 milhões de casais em todo o mundo sofram com problemas de infertilidade. Em Portugal, serão cerca de 300.000 os casais inférteis. Tendo em conta estes números elevados e crescentes a cada ano que passa, a infertilidade não é apenas um problema dos casais ou das mulheres que tentam ter um filho. A infertilidade vai além disso, tornando-se num problema social em que a renovação de gerações fica comprometida. Os casais e as mulheres que experienciam alguma dificuldade em engravidar não estão, nem podem estar, sozinhos, sendo o acompanhamento médico e psicológico de extrema importância.

As causas de infertilidade podem ser femininas, masculinas, uma combinação de fatores ou inexplicada. No elemento masculino do casal, as causas mais comuns são alterações na concentração, mobilidade e/ou morfologia dos espermatozoides. Estas alterações são detetadas através do Espermograma que é o método de diagnóstico de infertilidade de fator masculino por excelência e deve ser considerado no estudo inicial do casal. Fatores relacionados com o estilo de vida e atividade profissional (contacto com químicos ou fontes de calor, por exemplo) também influenciam a fertilidade masculina.

No caso feminino, as causas mais comuns de infertilidade incluem o fatores tubo-peritoneais (permeabilidade ou função das trompas alterada), disfunções na ovulação e endometriose. A idade desempenha também um importante papel, uma vez que uma mulher já nasce com a toda a reserva folicular que terá na sua vida e todos os meses, ao longo da vida reprodutiva, vários folículos são recrutados. Uma vez esgotada a reserva, é atingida a menopausa. Para além disso, com o avançar da idade, também a qualidade dos ovócitos contidos nesses folículos diminui. Neste ponto, é relevante explicar outro termo importante quando se fala de fertilidade – o de fecundabilidade, que é a probabilidade de conceção num ciclo menstrual.

Em mulheres até aos 35 anos este valor é de cerca de 20 a 25%. A partir daí, sofre um acentuado declínio e chega a valores na ordem dos 4 a 5 % aos 40 anos. Assim sendo, a percentagem de sucesso não é muito elevada e piora se houver alguma patologia associada, pelo que é de extrema importância procurar ajuda médica e especializada para detetar atempadamente algum problema de fertilidade.

Lidar com a infertilidade é um processo que exige uma grande carga emocional, pelo que é importante não atribuir culpas, mas sim diagnosticar causas e tratá-las ou ultrapassá-las, seja com recurso a medicação, cirurgia ou tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA). O estigma social que se cria à volta de uma possível situação de infertilidade não só não contribui para a sua resolução, como piora a situação. A culpabilização da mulher a que, ainda hoje, se assiste já não tem razão para existir. Por outro lado, havendo uma causa de fator masculino, a situação de infertilidade torna-se muitas vezes um tabu. É prioritário educar e informar para que os casais e as mulheres possam tomar decisões conscientes sobre quando devem engravidar, se será prudente adiar o projeto de maternidade para mais tarde e para que entendam que a infertilidade é uma condição médica como qualquer outra, sobre a qual se deve falar abertamente e procurar ajuda. Para além do stress emocional, casos em que a solução passa por tratamentos de PMA, têm o esforço económico a acrescentar. Embora haja um esforço para que os casais e mulheres que desejem engravidar vejam a sua situação resolvida pelo sistema de saúde público, na prática isso não acontece e o recurso ao privado está associado a um custo económico, muitas vezes insuportável para alguns agregados familiares.

É neste sentido que surge a Bolsa Baby Zippy, pensada para casais que estejam a experienciar dificuldades em engravidar, oferecendo acesso a apoio profissional especializado e a tratamentos de fertilidade com condições especiais em duas clínicas parceiras da marca, incluindo o CETI, no Porto. Este suporte assegura acompanhamento médico especializado em obstetrícia e fertilidade, mas também no âmbito da saúde mental e apoio emocional às famílias.

No CETI, casais e mulheres que desejam engravidar, encontram uma equipa de especialistas com o objetivo comum de aliar os cuidados médicos mais especializados com a preocupação de não deixar que ninguém se sinta sozinho nesta jornada. Encontrámos na Zippy um parceiro com as mesmas preocupações e, em conjunto, através do programa Baby Zippy, chegamos a mais casais e a mais mulheres, oferecendo condições mais vantajosas e que facilitam o acesso aos cuidados de saúde que prestamos.

Um artigo de Ana Gomes, Embriologista do CETI – Centro de Estudo e Tratamento da Infertilidade, publicado no site sapo.pt